“Caiu na rede” ou decaiu a rede?

sábado, 31 julho, 2010 - 12:56 am

Existe um ditado popular que diz que “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”. Acredito que nenhuma outra frase defina tão bem a relação entre brasileiros e a Internet quanto essa. É impressionante como o brasileiro consegue ser espaçoso e sem noção até no mundo virtual, “bom senso” parece ser uma expressão que esse pessoal desconhece totalmente (ou finge que desconhece).
O Orkut, depois da invasão verde e amarela, virou uma bagunça sem tamanho, a própria Google já está largando de mão o serviço e pensando em criar uma nova rede social. O Twitter ainda segue firme, mas por ter sido mais uma rede que caiu nas graças do povo daqui, somos obrigados a aturar campanhas imbecis de “CALA BOCA, FULANO” ou participantes do BBB entre os assuntos mais comentados.

A moda da vez é o tal Twitcam, um lugar para as pessoas desocupadas se exibirem para o resto do mundo através de uma webcam e receberem comentários em tempo real pelo Twitter. Tudo ia muito bem até que… alguém fez merda! Acho que não preciso dizer de onde é esse alguém, né?
O detalhe é que a coisa foi além das habituais brincadeirinhas e palhaçadas, e aí o bicho pegou. Dois adolescentes (menores de idade) tiveram a brilhante ideia de trepar em frente a uma webcam, o que chamou a atenção de 22 mil curiosos na noite da última segunda-feira. Obviamente teve gente que salvou o vídeo e saiu distribuindo pelos compartilhadores de arquivo e redes sociais com aquela velha desculpa de que “não dá nada”, só que pro azar deles, a Polícia Federal resolveu entrar na história e foi atrás dos envolvidos e tá de olho em quem baixou e/ou distribuiu o vídeo. O mais engraçado é que os donos das contas do 4shared, nas quais o vídeo foi postado, escreveram que as contas haviam sido hackeadas. As comunidades do Orkut, nas quais o vídeo foi divulgado, tiveram seus nomes alterados pelos donos. Pra variar, é o velho “jeitinho” entrando em ação para se livrar da responsabilidade, dessa vez com um toque de burrice, já que isso aí que fizeram não servirá pra nada.
Ontem estava lendo a comunidade do Grêmio no Orkut e vi muita gente com medo porque tinha baixado ou divulgado o vídeo. E o mais estranho, gente REVOLTADA com a ação da polícia, com aquela conversa de “ah, vão prender bandido” e outros dizendo que a polícia estava tentando proibir o direito das pessoas de verem pornografia. Cara, tem tanto site grátis de putaria por aí, por que essa necessidade tão grande de se ocupar com um vídeo amador entre dois menores de idade? Isso só prova que o povo tá mais preocupado em conhecer detalhes do “babado” do que qualquer outra coisa.

Claro que isso não é um problema só daqui, mas o Brasil é o país NÚMERO UM entre os consumidores de pornografia infantil. E isso não sou eu que to dizendo, podem procurar informações se quiserem confirmar. Não é à toa que esses escândalos acontecem em redes dominadas por brasileiros, tais como o Orkut e o Twitcam. Podem ver que esse tipo de coisa nunca aconteceu nessa proporção em MySpace ou Facebook.

Talvez isso pareça perseguição minha com o povo brasileiro, já que este é meu terceiro ou quarto post disparando críticas contra ele. Meu objetivo aqui no blog não é descer a lenha nos outros o tempo todo, acontece que deu acaso desses assuntos estarem em alta no momento e é meio difícil ficar alheio a eles.


Incluindo notas musicais no boletim

sábado, 10 julho, 2010 - 10:21 pm

School of Rock

Faz tempo que to com um assunto em mente pra escrever aqui, mas não o fiz por falta de tempo. Dessa vez vou deixar de lado as justificativas e ir direto ao ponto: hoje estava lendo o Diário de Santa Maria e me deparei com uma matéria bem interessante sobre a lei que obriga o ensino da Música em escolas públicas.
Pessoal que me conhece sabe bem que sou um apaixonado pela Música, que é sem dúvida minha forma de expressão artística favorita. Levo a Música muito a sério e chego até a ser preconceituoso em alguns aspectos. Acredito que o gosto musical de uma pessoa é algo crucial para se dizer quem ela é. Querem um exemplo? Eu pergunto para uma pessoa qual o gênero musical favorito dela e ela me responde: “ai, eu não tenho um estilo preferido, gosto de tudo”. Se você me disser uma coisa dessas, parabéns, ganhou o status de imbecil no meu conceito sem fazer muito esforço.
Primeiro porque alguém que diz isso está mentindo ou não sabe o que está dizendo, já que é IMPOSSÍVEL alguém gostar de todo e qualquer gênero musical. Segundo porque isso demonstra uma total falta de personalidade. Não acho que a pessoa deva ter um gosto musical igual ao meu, mas acredito que uma pessoa inteligente deve ter um gosto musical bem definido (o que não significa ouvir somente um estilo, mas sim ter um que mais goste), seja ele qual for, e não deve depender da televisão ou do rádio para conhecer uma banda ou músico. Em outras palavras, uma pessoa inteligente deve respeitar a Música e tratá-la como ARTE e não como MODA.

Acredito que o que falta pra população enxergar a Música dessa maneira é justamente ter alguém que dê uma diretriz em relação ao assunto. Essa lei sobre Música nas escolas é certamente uma das mais importantes já criadas neste país nos últimos anos (mais do que muita gente possa imaginar). Hoje temos uma inversão muito grande de valores nesse ramo, vemos músicos extremamente talentosos no anonimato, enquanto vemos Mc Créu ficando rico e aparecendo na mídia de forma exaustiva. Por que isso? Porque o povo em geral não tem conhecimento musical suficiente para perceber que algo não é necessariamente bom só porque a televisão diz que é (claro que aí também entra outra questão levantada neste post do meu amigo Splinter, mas vamos deixar assim por enquanto).
Se essa lei for realmente cumprida, me arrisco a dizer que estamos prestes a ver uma grande mudança nas futuras gerações. Teremos uma população menos alienada e mais questionadora que saberá que a Música é arte e não momento.

Deixo aqui meus sinceros parabéns aos políticos que fizeram com que essa lei se tornasse uma realidade (pelo menos no papel).

Se alguém tiver interesse em ler a reportagem que eu citei no início do post, ela pode ser encontrada neste link.


Brasil sil sil

sábado, 29 maio, 2010 - 1:08 am

Se alguém está pensando que abandonei o blog novamente, está enganado. O caso é que a faculdade ocupou boa parte do meu tempo nesse último mês, então o jeito foi ir guardando as ideias na cabeça pra escrever quando tivesse tempo. Considerando que tive uma “folga” pra respirar um pouco, aqui estou para escrever sobre um assunto que está em alta no momento: Copa do Mundo. Pra mim e para os demais fanáticos por futebol, certamente a melhor época de todas. Até quem não costuma acompanhar outros campeonatos acaba assistindo. Mas o assunto que eu gostaria de levantar não é a Copa do Mundo em si e sim uma discussão que sempre rende páginas e páginas de tópicos em comunidades do Orkut: torcer ou não pela Seleção Brasileira.

Eu particularmente nunca consegui ter pela Seleção Brasileira o mesmo sentimento que tenho pelo Grêmio. Lembro bem da Copa de 94, no auge dos meus 5 anos, em que eu falava em tom de brincadeira que estava torcendo pro adversário só para perturbar meus pais e eles apenas riam. Ou melhor, riram até o jogo Brasil x Holanda, no qual eu fiz a mesma brincadeira e eles ficaram realmente putos comigo a ponto de me darem uma bronca como nunca antes eu havia levado. Depois desse episódio, passei a me perguntar até que ponto as pessoas levam o futebol a sério. Eu, como disse no início do post, sou um fanático por futebol e gosto de exaltar os feitos do meu time e ridicularizar o rival, mas nunca cheguei a brigar com um amigo colorado por causa disso, apenas brincadeiras. Aliás, acho que me sentiria um “retardado do futebol” (como diz um amigo meu) se chegasse a tal ponto.

Claro que no caso da Seleção Brasileira é até compreensível que esse tipo de coisa aconteça. Quem conhece um pouco de história do Brasil, sabe bem que, durante a Copa de 70, o governo e a imprensa fizeram um esforço gigantesco para despertar um fanatismo cego na população em relação à Seleção (foi aí que surgiu aquela musiquinha “Pra Frente Brasil” pra quem não sabe), tudo isso para desviar o foco das atrocidades que eram cometidas pelo governo militar da época.
O mais curioso é que até hoje vemos uma total intolerância que algumas pessoas demonstram quando alguém diz que torce para uma seleção de fora. Eu, por exemplo, admiro muito a Seleção Alemã. Não porque sou um rebelde ou pseudoengajado, mas pelo simples motivo de ser uma seleção cujo estilo de jogar me lembra o Grêmio. Motivo simples, mas que não entra na cabeça de alguns de jeito nenhum. Por causa disso, tenho que ouvir frases como “te muda pra lá então” ou sou taxado de pseudoalemão, anti-patriota e adjetivos do gênero. Cara, é apenas futebol! Alguém por favor me diga o que há de patriotismo em vibrar com 11 caras de camisa amarela correndo atrás de uma bola. Isso pra mim é torcer pela Seleção Brasileira, mas jamais ser PATRIOTA. Patriota pra mim é o cara que preza pelo seu país e faz o que pode para ajudá-lo a crescer. Ganhar uma Copa do Mundo pode ser ótimo para os cofres da CBF e para o bolso dos jogadores, mas isso em nenhum universo (ou pelo menos não no meu) caracteriza patriotismo, assim como ninguém é mais ou menos brasileiro que o outro por estender bandeirinha na janela de casa de 4 em 4 anos ou cantar aquela pavorosa música “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Ninguém é obrigado a aplaudir as pedaladas do Robinho ou a concordar com os comentários estúpidos do Galvão Bueno só porque nasceu no Brasil. Essa de que “os jogadores são representantes da pátria” é furada porque esses tais representantes são os primeiros a se mandarem pra Europa na primeira oportunidade que surge. Por que não trocam as propostas milionárias pelo tal amor ao Brasil? Ah, pois é.

Enfim, não me considero menos brasileiro do que ninguém só por gostar do futebol alemão. Também não odeio o Brasil como alguns possam pensar. Posso até não me identificar com a cultura popular, mas nem por isso acho que esse país é um lugar ruim para se viver, muito pelo contrário. É como diz a música do Ultraje a Rigor: “morar nesse país é como ter a mãe na zona, você sabe que ela não presta e ainda assim adora essa gatona”.
Indiferença é a palavra que melhor descreve meu sentimento pela Seleção Brasileira. Não seco, mas também não consigo torcer. Se ganha ou perde, em nada muda o meu dia.

Pessoal tem que parar de procurar pêlo em ovo e começar a respeitar um pouco mais a liberdade de escolha, deixemos as imposições no passado político brasileiro, que é o lugar delas. Repito: futebol é apenas futebol.


Um “pouco” de malandragem

terça-feira, 23 março, 2010 - 8:35 pm

Ontem o CQC exibiu possivelmente a sua melhor matéria desde o surgimento do programa. Quem não viu, recomendo que assista no YouTube antes de ler o resto do post:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5

Poucas coisas me causam tanta revolta quanto isso que foi mostrado por um simples motivo: esse é o retrato típico do povo brasileiro. A reação imediata da maioria das pessoas ao assistir algo assim é pensar “todo político é ladrão” ou ainda “o problema desse país são os políticos”. EM PARTE, são pensamentos que fazem um certo sentido, mas será que já pararam pra pensar em quem são os políticos?

Por mais que a mídia e o governo tentem vender a ideia de que o povo brasileiro é honesto, batalhador, solidário e etc, a verdade é que ele não está tão mal representado assim como as pessoas pensam. A política é apenas uma meia dúzia de sacos de lixo em meio a um depósito inteiro. Muitos dos que reclamam de desvio de recursos e afins, são os mesmos que subornam policiais ou que enchem a cara e saem dirigindo como se fosse a coisa mais natural do mundo. São os mesmos que despejam lixo pelas ruas alegando que o seu papel/garrafa/lata não fará diferença no final das contas. São os mesmos que aceitam “presentinhos” de político a exemplo do que foi mostrado na reportagem. Enfim, são os mesmos brasileiros que aqueles que lá estão no poder.

Obviamente existem as exceções, mas a verdade é que o tal Jeitinho Brasileiro e a Lei de Gérson são predominantes no Brasil. O atraso desse país está diretamente relacionado com essa “arte” de tirar vantagem sobre tudo e sobre todos não importando as circunstâncias. É uma pena que esse tipo de coisa já esteja impregnado na nossa cultura, o que me faz acreditar que não exista outra solução que não seja recomeçar o país do zero.

Pra encerrar, o objetivo deste post não é justificar os absurdos que acontecem na política, mas sim mostrar que muitas vezes a corrupção está muito mais próxima de nós do que imaginamos.

PS: deixo aqui os parabéns para a equipe do CQC pela excelente reportagem e para a Bandeirantes que se esforçou para que a matéria fosse ao ar. É bom ver que pelo menos um programa da tv aberta se importa mais com algo assim do que com um bando de desocupados trancados dentro de uma casa.


Volta o cão arrependido…

quinta-feira, 18 março, 2010 - 1:13 am

Não é novidade pra ninguém que esse blog morreu há mais de um ano, mas em meio a sumiços e retornos, tentarei retomar as atividades por aqui novamente. Apaguei os posts antigos porque o objetivo é começar do zero.
Os blogs em geral acabaram perdendo espaço depois do “boom” do Fotolog, Orkut e afins, mas parece que a chegada do Twitter facilitou um pouco as coisas na questão da divulgação, o que me motivou a voltar a postar aqui.

Enfim, gosto de ter um lugar pra expressar as ideias de forma mais detalhada, algo que não é possível no Twitter. Como diria um amigo meu: “140 caracteres nunca irão substituir um bom texto”. Então que assim seja feito. Se alguém vai acompanhar os posts, aí já não sei, mas não custa tentar.

Stay tuned!